Introdução
Uma revolução na forma como pensamos sobre alimentação está em curso. Em 7 de janeiro de 2026, o governo dos Estados Unidos divulgou as aguardadas Diretrizes Alimentares 2025-2030, trazendo mudanças significativas que podem impactar recomendações nutricionais em todo o mundo, incluindo o Brasil.
Paralelamente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou em dezembro de 2025 suas primeiras diretrizes globais sobre o uso de medicamentos GLP-1 (como Ozempic e Wegovy) no tratamento da obesidade. Juntas, essas novidades representam uma mudança de paradigma na abordagem da nutrição e saúde metabólica.
As Novas Diretrizes Alimentares Americanas
As Dietary Guidelines for Americans 2025-2030 trazem como lema principal: "Eat Real Food" (Coma Comida de Verdade). Entre as principais mudanças estão:
Nova Pirâmide Alimentar Invertida
O tradicional MyPlate foi substituído por uma nova pirâmide alimentar invertida, que enfatiza:
Base (maior consumo): Frutas, vegetais e proteínas
Meio: Laticínios e gorduras saudáveis
Topo (menor consumo): Grãos e carboidratos
Principais Recomendações
Mais proteína: Incentivo ao consumo de carnes, ovos, peixes e laticínios
Menos açúcar adicionado: Redução significativa de açúcares em alimentos processados
Evitar ultraprocessados: Pela primeira vez, há recomendação explícita contra alimentos ultraprocessados
Gorduras saudáveis: Inclusão de manteiga, banha e azeite de oliva como opções saudáveis
Mais laticínios: Aumento do consumo de leite, queijos e iogurtes
O Que São Alimentos Ultraprocessados?
Um artigo recente publicado na Nature Medicine propõe uma nova forma de definir alimentos ultraprocessados: em vez de listar o que são, definir o que não são.
Classificação Nova (Brasil)
O sistema de classificação mais utilizado mundialmente é o Nova, desenvolvido pelo epidemiologista brasileiro Carlos Monteiro. Segundo essa classificação:
Alimentos ultraprocessados são produtos industriais que passam por múltiplos processamentos e contêm aditivos cosméticos (aromatizantes, emulsificantes, corantes)
Exemplos: refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, nuggets
Impactos na Saúde
Segundo o Medical News Today, estudos recentes associam o consumo excessivo de ultraprocessados a:
Doenças cardiovasculares: Maior risco de infarto e AVC
Doença de Crohn: Aumento de casos de doenças inflamatórias intestinais
Declínio cognitivo: Possível aceleração do envelhecimento cerebral
Obesidade: Maior propensão ao ganho de peso
Diretrizes da OMS para Medicamentos GLP-1
Em dezembro de 2025, a Organização Mundial da Saúde publicou suas primeiras diretrizes globais sobre terapias GLP-1 (liraglutida, semaglutida e tirzepatida) para tratamento da obesidade.
Recomendações Condicionais da OMS
Para adultos com obesidade: GLP-1 podem ser usados para tratamento de longo prazo, exceto gestantes
Intervenções comportamentais: Dieta saudável e atividade física devem acompanhar o uso de medicamentos
"Embora medicamentos sozinhos não resolvam o problema, as terapias GLP-1 podem ajudar milhões a superar a obesidade e reduzir danos associados." — Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS
Dados Alarmantes
1 bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo
3,7 milhões de mortes associadas à obesidade em 2024
US$ 3 trilhões é o custo econômico global previsto para 2030
Menos de 10% dos que precisam terão acesso a GLP-1 até 2030
Implicações para Profissionais de Saúde no Brasil
Essas mudanças globais têm reflexos importantes para a prática clínica no Brasil:
Para Nutricionistas
Atualização de protocolos: Revisar recomendações sobre ultraprocessados
Educação nutricional: Ensinar pacientes a identificar alimentos reais vs. industrializados
Personalização: Adaptar dietas considerando disponibilidade de proteínas de qualidade
Para Médicos e Endocrinologistas
GLP-1 no Brasil: ANVISA já aprovou semaglutida (Wegovy) para obesidade
Abordagem integral: Medicamento + mudança de estilo de vida
Cuidado com falsificados: OMS alerta sobre produtos substandard no mercado
Para Clínicas em Geral
Orientação preventiva: Todos os profissionais podem abordar alimentação saudável
Encaminhamentos: Identificar pacientes que se beneficiariam de acompanhamento nutricional
Documentação: Registrar orientações nutricionais no prontuário
Dicas Práticas para Pacientes
Compartilhe estas orientações baseadas nas novas diretrizes:
Leia rótulos: Se a lista de ingredientes é longa e incompreensível, evite
Prefira comida de verdade: Frutas, vegetais, carnes, ovos, grãos integrais
Cozinhe mais: Alimentos preparados em casa são geralmente menos processados
Reduza açúcar: Limite refrigerantes, sucos industrializados e doces
Proteína em cada refeição: Inclua fontes de proteína no café, almoço e jantar
Conclusão
As novas diretrizes alimentares americanas e as recomendações da OMS sobre GLP-1 representam um marco na abordagem global da nutrição e obesidade. A mensagem é clara: comida de verdade deve ser a base da alimentação, e o tratamento da obesidade requer uma abordagem multidisciplinar.
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🔗 Fontes e Referências
STAT News - Dietary guidelines declare war on processed foods and sugar - Reportagem sobre as novas diretrizes americanas
WHO - Guideline on GLP-1 medicines in treating obesity - Diretrizes oficiais da OMS para tratamento de obesidade
Nature Medicine - New approach to define ultra-processed foods - Artigo científico sobre definição de ultraprocessados
Medical News Today - Ultra-processed foods and Crohn's disease link - Estudos sobre impactos dos ultraprocessados
RealFood.gov - Site oficial das novas diretrizes alimentares americanas
USP - Classificação Nova - Sistema brasileiro de classificação de alimentos
